Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008
Sporting de azar afastado da Taça de Portugal.

 

 




CRÓNICA:

Recorrer a uma eventual maldição do Sporting no desempate por penáltis para explicar a eliminação às mãos do FC Porto na quarta eliminatória da Taça de Portugal e acrescentar que os leões não perdem um jogo no tempo regulamentar desta competição desde a época 2003/04, parece um cliché ao qual é difícil fugir. Tal como é atribuir a Abel o odioso da decisão desta eliminatória por ter sido ele a falhar o remate decisivo. Difícil mesmo é escapar à tentação de começar esta crónica pela única figura que não deveria fazer parte dela: o árbitro Bruno Paixão. Num encontro que até tinha condimentos suficientes para ser um grande espectáculo, as suas decisões erradas e uma interpretação das leis a roçar o exibicionismo tornaram-se injustas, tanto para o esforço dos artistas como para o trabalho de casa dos treinadores. Ambos com razões de queixa...

 

Com muito sofrimento, o FC Porto deu mais um passo em direcção à porta de saída da crise, mas, tal como ante o Dínamo de Kiev, foi melhor o resultado do que a exibição. A entrada em campo foi sonolenta por parte dos jogadores e careceu de adaptações tácticas vindas do banco, dando a sensação de que Jesualdo Ferreira deu 45 minutos de avanço a Paulo Bento. O meio-campo portista, com Fernando demasiado posicional e Lucho a passar ao lado do jogo, não conseguia travar o losango do Sporting, onde Romagnoli, na direita, e Izmailov, na esquerda, aproveitavam a liberdade que lhes era concedida para explorarem a debilidade dos dragões nas laterais - Fucile estivera um mês parado e Pedro Emanuel voltava a ser adaptado à esquerda. E, no entanto, o primeiro golo foi obra do acaso a meias com um corte desastrado de Fernando e uma hesitação de Helton, complementados por esse talento que Liedson tem para inventar golos, mesmo que isso signifique impor-se fisicamente a alguém mais corpulento, como é Pedro Emanuel.

 

Paulo Bento chegava ao intervalo com o resultado a sorrir-lhe e a dar razão à disposição das suas peças, incluindo o recuo de Miguel Veloso para lateral-esquerdo, mesmo depois da polémica que isso causou após a vitória em Donetsk. O reatamento trouxe a ilusão de que a má primeira parte portista se devera à titularidade de Mariano Gonzalez, entretanto substituído por Tomás Costa. A verdade é que num momento de magia pura, Hulk tirou da cartola um grande golo, misto de capacidade física e gosto por assumir decisões - depois de correr 60 metros com a bola, viu Rodríguez a entrar pelo meio mas optou por desferir um remate indefensável para Rui Patrício. A atitude, mais do que o golo, teve condão de devolver o FC Porto à discussão da eliminatória.

 

O que se passou a partir daí, porém, regressa ao domínio do indesejável. Sucederam-se os lances tendo Bruno Paixão por protagonista, quando podia e deveria ter sido de novo Hulk. Primeiro um toque duvidoso de Polga, depois um bem mais claro de Rui Patrício, lance que culminou com a expulsão de Caneira e obrigou Paulo Bento a meter Pedro Silva e puxar Veloso para central. Mais tarde tocou a Jesualdo Ferreira a necessidade de mudar, já que perdeu Pedro Emanuel, também por duplo amarelo, e entregou o lugar a Fucile, recuando Tomás Costa para a lateral-direita. O Sporting como que ressuscitara com a saída do capitão azul e branco, mas Paixão continuava a sua "cruzada": aos 87', deixa passar uma mão de Rolando na área e atira as duas equipas para um prolongamento que foi um mero prelúdio para os penáltis que realmente existiram. Esses atiraram com o Sporting para fora da prova em que tem tido maior êxito nos últimos anos e na qual pode gabar-se de ter chegado ao 22º encontro consecutivo sem perder no tempo regulamentar. Por muito que isso de nada signifique perante uma eliminação às mãos de um FC Porto longe do ideal e no qual Jesualdo dá a sensação de continuar a fazer demasiadas experiências.

 

In: O Jogo

 

 

FICHA DE JOGO:

Sporting: Rui Patrício; Abel, Caneira, Polga, Miguel Veloso, Rochemback, Moutinho, Izmailov (Tiuí, 119m), Romagnoli (Pedro Silva, 68 m), Postiga (Yannick Djaló, 81 m) e Liedson
Treinador: Paulo Bento.
Suplentes não utilizados: Tiago, Carriço, Ronny e Pereirinha
Disciplina: Cartão amarelo para Caneira (54 e 64 m), Polga (64 m), Liedson (73 m), Pedro Silva (76 m), Miguel Veloso (102 m) e Abel (114). Cartão vermelho para Caneira (64 m).
Golo: Liedson (28 m).
Grandes penalidades: Veloso, Tiuí, Moutinho e Polga marcaram. Rochemback e Abel falharam.


FC Porto: Helton; Fucile (Lino, 99 m), Rolando, Bruno Alves, Pedro Emanuel, Fernando, Meireles (Rodriguez, 56 m), Mariano Gonzalez (Tomás Costa, 45 m), Lucho, Hulk e Lisandro
Treinador: Jesualdo Ferreira.
Suplentes não utilizados: Nuno, Stepanov, Tarik e Pelé.
Disciplina: Cartão amarelo para Bruno Alves (36 m), Pedro Emanuel (41 e 82 m), Lucho (46 m), Hulk (64 e 116 m) e Helton (119 m). Cartão vermelho para Pedro Emanuel (82 m) e Hulk (116 m).
Golo: Hulk (59 m).
Grandes penalidades: Lisandro, Tomás Costa, Lino, Bruno Alves e Rodriguez marcaram. Lucho falhou.

 

AVALIAÇÕES À PRESTAÇÃO DE ROMAGNOLI:

 

 

 

 

• Na primeira parte coseu o jogo sportinguista, ora atando à direita, ora tricotando à esquerda, sempre com critério e em progressão. Na segunda foi-se esfumando num mar de gente maior do que ele e acabou por sair porque o jogo já não estava para o seu futebol-crochet. - In Record

 

• Bela primeira parte. Rompeu pelo centro e procurou as diagonais, ganhando a linha para tirar centros. Perdeu gás na etapa final e saiu aos 69'. - In O Jogo

 

• Primeira fatia do jogo muito interessante, conduzindo a bola, driblando e passando como poucos mais sabem fazer neste Sporting. De quando em vez trocou posições com Moutinho e até foi na direita que desenhou os lances mais vistosos. Antes do intervalo começou a cair e seria o primeiro substituído, mesmo sem o vermelho de Caneira. - In A Bola



publicado por Filipa às 21:37
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1 comentário:
De Micaela a 11 de Novembro de 2008 às 16:26
Queria que o Sporting tivesse ganho, apesar de ser Benfiquista... Infelizmente não aconteceu


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