Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008
«Leãozinho» abafado pelo talento do Barcelona.

CRÓNICA:
 

 

 

 

As crises dos gigantes do futebol são por vezes um perigo para os adversários europeus, que frequentemente "pagam" com juros as frustrações acumuladas. Ontem, foi o leão quem sofreu na pele a raiva catalã: um Sporting fraco não foi oponente à altura de um bom Barcelona, determinado a alcançar a reconciliação com os adeptos, após uma série de maus resultados. Diga-se, aliás, que o 3-1 até acaba por ser lisonjeiro para a formação lusa, tal o número de claras ocasiões de golo junto da baliza defendida por Rui Patrício.

 

Amunike tinha avisado, em entrevista a O JOGO, que ir ao Camp Nou para defender era uma estratégia condenada ao fracasso, mas os leões não assimilaram a mensagem. Durante 21 minutos - altura em que Rafael Márquez inaugurou o marcador -, o Sporting limitou-se a ver o Barcelona jogar, maravilhado, talvez, com o talento de Messi, Xavi, Iniesta e companhia, e sem perceber que estava apenas a contribuir para a reabilitação da crise blaugrana. Como um pugilista que se limita a proteger o rosto enquanto é esmurrado pelo adversário, sem sequer procurar retorquir, a formação verde e branca acabou por ceder o espaço necessário ao golpe contundente. Só então, já em desvantagem, se notou a intenção de reagir: recuperada a bola, crescia a intensidade na transição, e os espaços no meio campo dos anfitriões começavam a ser preenchidos com maior intencionalidade. Ainda assim, poucos foram os frutos, já que o primeiro remate visitante surgiu apenas aos 26', e só um livre de Rochemback levou real perigo à baliza de Valdés. Com o apito do árbitro a anunciar o intervalo, vinha apenas um sentimento de alívio por não ser maior o prejuízo.

 

O segundo tempo trouxe uma equipa menos reverente, apostada em discutir o controlo da partida, mas os constantes erros na construção da manobra ofensiva iam facilitando a tarefa culé. Contudo, foi o - duvidoso - penálti convertido por Eto'o, aos 60', que mais complicou a vida ao leão. Tudo parecia estar perdido, quando, aos 72', Tonel aproveitou um livre para reduzir a diferença, e, pela primeira vez, o Barcelona tremia. Era a oportunidade para chegar ao empate, e, sentindo-a, Paulo Bento decidiu arriscar: abdicou do losango em favor do 4x4x2 clássico fazendo entrar Pereirinha para o lugar de Caneira e recuando Miguel Veloso para o lado esquerdo da defesa. O tiro saiu, contudo, pela culatra, pois a ausência de Veloso no meio desguarneceu a zona intermédia, o Sporting voltou a perder o controlo das operações e nunca logrou explorar os corredores laterais. Agora, resta à formação verde e branca assimilar todas as lições desta má experiência e agradecer pelo facto de as outras equipas do grupo não terem a qualidade deste Barça.

 

In: O Jogo

 


FICHA DE JOGO:
Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Puyol (Sylvinho, 88 m), Márquez e Piqué; Keita, Xavi e Iniesta; Messi, Eto'o (Touré, 65 m) e Thierry Henry (Pedro Rodríguez, 75 m).
Treinador: Pep Guardiola.
Suplentes não utilizados: Pinto, Cáceres, Pedro Rodríguez, Bojan e Gudjohnsen.
Acção disciplinar: Cartão amarelo para Piqué (69 m).
Golos: Rafael Márquez (21 m), Eto'o 62 m g.p.) e Xavi (87 m).

Sporting: Rui Patrício; Abel, Tonel, Anderson Polga e Marco Caneira (Pereirinha, 79 m); João Moutinho, Fábio Rochemback, Izmailov e Romagnoli (Miguel Veloso, 64 m); Derlei e Yannick (Hélder Postiga, 62 m).
Treinador: Paulo Bento.
Suplentes não utilizados: Tiago, Pedro Silva, Adrien, Pereirinha, Rodrigo Tiuí
Acção disciplinar: Cartão amarelo para Rochemback (85 m).
Golo: Tonel (71 m).

 

 AVALIAÇÕES À PRESTAÇÃO DE ROMAGNOLI:
 


 


• "Quando foi substituído aos 65 minutos, era o jogador do Sporting com mais remates (dois, a par de Rochemback), situação nada normal, pois não é, de longe, um dos rematadores da equipa. Tentou pausar o jogo dos leões, mas sem êxito, pois foi forçado a desgastar-se a defender, e depois a bola raramente lhe chegou jogável. - in O Jogo


• "Se é verdade que a bola raramente lhe chegou, também é certo que poucas vezes a procurou. Pareceu mais preocupado em interceptar passes do adversário em vez de desempenhar a tarefa que lhe estava destinada, pegar na bola e levá-la para a frente. Uma exibição tão pálida só lhe poderia mesmo valer a ... substituição: saiu ao minuto 64."  - In A Bola


DECLARAÇÕES NO FINAL DO JOGO:

"Barça foi superior"

 


 

Romagnoli explicou de forma simples a derrota na ronda inaugural da Champions.

"O Barça foi sempre superior, nunca nos deixou jogar à bola. Devemos começar já a pensar no futuro. O Messi? É muito rápido com a bola nos pés", esclarece. Analisando a sua prestação, Pipi admite a necessidade de melhorar em alguns aspectos. "Fui mais defensivo do que atacante, mas vou ter de me esforçar mais", reconhece. Para Pipi, o Shakhtar é o rival no grupo. "Vamos disputar o segundo lugar e não podemos perder pontos em casa", avança o argentino.

In: O Jogo


publicado por Filipa às 18:06
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