Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008
Grande noite europeia do Sporting podia ter acabado em goleada.



CRÓNICA:

O 2-0 garante ao Sporting uma viagem mais tranquila a Basileia e o caminho aberto para os oitavos-de-final da Taça UEFA. A diferença pode ser suficiente para garantir a qualificação, mas os leões podiam ter resolvido já a eliminatória, sem ter de correr riscos perante o razoável líder da liga suíça, que certamente ficou com alguns trunfos por jogar.

Izmailov adivinha uma dos habituais movimentos de Romagnoli, entre o lateral e o central do Basileia. O argentino aproveita-se de não ser um «dez» típico, mais um interior à moda antiga, um jogador que cria desequilíbrios em cima da grande área pelas laterais. O russo vê bem. Romagnoli está lançado e, alguns passos depois, faz o que deve, o que os «livros da arte de bem jogar» recomendam, cruza atrasado. Vukcevic não tem tempo para escolher o pé mais confiante e encaixa o direito com o trajecto da bola. Costanzo inclina o corpo para a esquerda, para onde vai, mas esta bate em Marque e entra ao primeiro poste.

Aos oito minutos, o Sporting está embalado para um bom resultado. E bem mais confiante certamente do que antes do pontapé de saída. Os suíços até tinham entrado bem campo, decididos a não queimar etapas nos tempos de construção. O 4x2x3x1 assenta sobre o brasileiro Eduardo no meio, decidido a lutar por todas as bolas, a capacidade de drible de Carlitos na direita e a verticalidade de Degen do lado contrário. Este é o apoio que tem Derdiyok, obrigado a combinar com os companheiros para que a bola chegue mais perto de Patrício.

Com Degen a não existir, a maior presença do ataque helvético é conseguido pela direita. Nos primeiros dez minutos, o Basileia ganha faltas e cantos, colocando de sobreaviso os leões. E podem reclamar mesmo duas boas oportunidades, com o remate certeiro de Vukcevic pelo meio, depois de cantos do antigo jogador do Benfica. Na primeira, Ergic cabeceia ao lado (4), na segunda Patrício voa para grande defesa, após acrobacia de Eduardo (11). Acaba depois o Basileia, com o Sporting cada vez mais forte, agora sem misericórdia para o eixo do meio-campo helvético, onde no fundo residia o rastilho dos seus contra-ataques.

Paulo Bento aposta no onze que mais garantias lhe dá. Izmailov encosta à esquerda e sente de perto a presença de Romagnoli. Moutinho anda pela direita e vê-se mais perto de Liedson. O segundo grande momento do ataque dos leões surge aos 26 minutos. Vukcevic, lançado por Moutinho, dribla o infeliz Marque e permite a Costanzo um dos poucos momentos que o argentino leva para recordar. Uma boa defesa nega o 2-0. Depois, Ba, aos 41, com o seu guarda-redes em dificuldades após uma queda desamparada, fica a centímetros do autogolo, naquilo que era inicialmente um corte a Liedson. Antes do intervalo, Christian Gross faz a primeira alteração, na baliza: Costanzo por Crayton.

Os leões têm tudo para crescer nos segundos 45 minutos. Os helvéticos perdem aquela capacidade de subir pelo relvado em apoio e sentem-se obrigados a usar bolas longas, o que era facilmente controlado por quem estava de frente para a bola. Mesmo assim ainda aguentam outros dez minutos.

Crayton é finalmente posto à prova aos 56: grande trabalho de Romagnoli anulado pela ponta dos dedos do liberiano, que veria Polga atirar, logo no canto a seguir, por cima da trave. Não é preciso esperar muito pelo segundo. Talento à solta no passe de Moutinho para Vukcevic, que continua no peito do pé esquerdo do montenegrino para um golo monumental. Aos 59 minutos, os suíços estão por terra.

Oitavos-de-final da Taça UEFA podem ficar muito perto depois desta noite, sente-se. Moutinho vê Liedson pelo meio e o brasileiro remata na passada. Crayton parece com peso a mais para chegar à bola, mas estica-se o suficiente para desviá-la para o poste esquerdo. E estranhamente o perigo para o Basileia só volta nos minutos finais. E fica a sensação de que a noite podia ter sido ainda melhor para os homens de Paulo Bento.



In: Maisfutebol

 


FICHA DE JOGO:
Sporting: Rui Patrício; Abel, Polga, Tonel e Grimi; Miguel Veloso, João Moutinho, Marat Izmailov (Pereirinha, 71 m) e Romagnoli; Vukcevic (Rodrigo Tiuí, 72 m) e Liedson.
Treinador: Paulo Bento.
Suplentes não utilizados: Stojkovic, Ronny, Purovic, Farnerud e Celsinho.
Disciplina: Nada a assinalar.
Golos: Vukcevic (8 e 61 m).

FC Basileia: Costanzo (Crayton, 44 m); Ba, Majstorovic, Marque e Hodel; Degen (Cabral, 64 m), Huggel, Ergic e Carlitos; Eduardo e Derdiyok.
Treinador: Christian Gross.
Suplentes não utilizados: Perovic, Stocker, Frei e Ferati.
Disciplina: Cartão amarelo a Carlitos (29 m).
Golos: Nada a assinalar.


AVALIAÇÕES À PRESTAÇÃO DE ROMAGNOLI:



( Foto: Álvaro Isidoro )

• "Foram dele as melhores ideias, as aventuras mais fascinantes, as acções mais desequilibradoras e o compasso mais marcante do jogo leonino. No tango de El Pipi o Sporting reviu-se para partir à procura da bola, do espaço e do movimento. Foi a sua dança constante por toda a frente de ataque que estimulou a iniciativa e alimentou a esperança de encontrar o caminho para a baliza adversária." - in Record.

• "Marcou o ritmo e pautou o jogo ofensivo do Sporting, entrando em grande no jogo ao fazer a assistência para o 1-0 logo aos 8 minutos. Também teve a sua oportunidade de marcar, mas o seu remate de pé esquerdo, aos 56 minutos, foi desviado pelo guarda-redes para canto." - in O Jogo

• "Desequilibrador completo, demasiado imprevisível para cair nas teias defensivas de uma equipa que nunca arranjou argumentos para anular o argentino do Sporting. Aos 9' furou na esquerda e serviu Vukcevic para o primeiro golo do jogo, aos 58' fez o mesmo para o segundo. Pelo meio, uma exibição pintada com pormenores de grande qualidade." - in A Bola

• "Outro jogador que esteve em dúvida para o jogo desta noite, depois de ter treinado limitado ao longo da semana. Limitações que não foram visíveis esta quarta-feira, com o argentino a apresentar-se fresco no vértice do ataque do losango ao longo dos noventa minutos, combinado muito bem com João Moutinho e Izmailov, mais descaídos sobre os flancos. Foi na sequência de uma boa tabelinha com o russo que improvisou a assistência para o primeiro golo. Voltou a entrar bem na segunda parte, primeiro num desvio subtil a um remate de Abel, depois com um pontapé cruzado que por muito pouco não resultou em golo. Ofereceu ainda um golo de bandeja a Liedson, mas o Levezinho estava ligeiramente adiantado e não contou." - In Destaques do Maisfutebol

• "Há muito tempo que não jogava tão bem. As suas combinações com Vukcevic e Izmailov colocaram os suíços de cabeça à roda. De um grande passe seu nasceu o primeiro golo." - in 24 Horas


DECLARAÇÕES NO FINAL DO JOGO:



Numa das exibições mais conseguidas da temporada, Romagnoli não regressou aos golos – continua por estrear-se em termos europeus – mas foi preponderante para o desfecho final do primeiro encontro da eliminatória frente ao Basileia. No final, o técnico dos suíços não teve dúvidas em identificar o argentino como principal desequilibrador da partida ("A posição do Romagnoli no meio-campo criou-nos inúmeros problemas, foi aí que esteve a chave do jogo. Ele foi decisivo para desunir o nosso meio-campo", assinalou Gross), ao passo que Paulo Bento preferiu destacar a força do colectivo ("O Roma fez um bom jogo, a exibição colectiva foi boa e isso pode levar a destacar um ou outro jogador", disse o técnico leonino).

Sem ouvir uma ou outra opinião, Pipi analisou ambas as análises de forma altruísta, mas... acabou por alinhar ao lado do seu treinador: “É sempre positivo ouvir esse tipo de elogios, mas a equipa é mais importante. Ainda faltam muitos jogos até ao final da temporada e espero que consigamos manter-nos a este nível”, advogou o n.º 30, que só não foi eleito pela UEFA como homem do jogo por causa de... Vukcevic. “Senti-me bem, mas o que interessa mesmo é que o conjunto funcione bem e que o Sporting vá conseguindo obter triunfos”, acrescentou.

Fizemos uma belíssima partida e conseguimos superar as dificuldades que o Basileia nos criou para alcançarmos uma vantagem que nos permite encarar de forma mais tranquila o encontro da 2.ª mão. Temos consciência que o adversário é mais forte quando joga em casa e, por isso, necessitamos de manter a mentalidade com que abordámos esta partida”, referiu o médio-ofensivo.

Fontes: A Bola, Record e O Jogo.


publicado por Filipa às 16:21
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2 comentários:
De Izmailov7 a 16 de Fevereiro de 2008 às 22:02
É verdade ... Uma verdadeira noite europeia.
O Romagnoli jogou bastante bem!

Beijinho @


De butragueno a 21 de Fevereiro de 2008 às 15:39
romagnoli é sem duvida um jogador de classe com uma técnica e inteligência a jogar acima da media!


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